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Psiquiatria

 

 

 

 

Fobia social é uma doença que se caracteriza pelo medo excessivo de ser foco da atenção de outras pessoas e, nessa circunstância, fazer algo ridículo ou humilhante.
Todos nós temos um aumento de ansiedade em situações de interação social, principalmente em situações novas, quando somos apresentados a desconhecidos e quando somos foco da atenção de todos, como numa apresentação em público. Tal aumento de ansiedade é considerado normal e apresenta as seguintes características:

- varia em intensidade de pessoa para pessoa;
- não leva as pessoas a evitarem estas situações;
- não acarreta prejuízos significativos;
- não se associa a outras doenças.

Quem tem fobia social apresenta um medo exagerado da interação com outras pessoas e vai evitar as situações de exposição social, ainda que isso prejudique sua vida. Caso não consiga evitar, sofrerá grande desconforto. Além disso, ocorre o que chamamos de ansiedade antecipatória, isto é, um aumento significativo de ansiedade no período que antecede as situações de exposição social.
Há um aumento rápido de ansiedade, acompanhado de sintomas físicos: tremor, sudorese, taquicardia, palpitações, empalidecimento, sensação de perda de consciência, náuseas, desconforto abdominal e formigamentos.

Os medos mais freqüentes de quem apresenta o quadro clínico de fobia social são:

- falar em público;
- conversar com autoridades;
- conversar com o sexo oposto;
- conversar com estranhos;
- comer em público;
- assinar em público;
- conversar ao telefone;
- ser observado;
- levar uma bronca, principalmente na frente dos outros.

Existem pessoas que têm muitos desses medos. São as que têm fobia social generalizada, a forma mais comum. Mas existem também aquelas que temem apenas uma ou outra situação (em geral apresentar-se em público). São as que têm fobia social restrita.
Apesar de ser bastante comum, em geral a fobia social não é vista como doença. Os estudos mostram que 7% das pessoas têm ou tiveram fobia social.

Como a maior parte das doenças em medicina, a fobia social é resultado de vários fatores como:

- vulnerabilidade individual;
- ambiente (família + cultura);
- aprendizado de vida;
- fatores psicológicos.

Se a pessoa tem fobia social restrita, em geral ela adapta sua vida a isso e consegue evitar outros prejuízos além de não se expor em público. Mesmo assim já há uma limitação.
Entretanto, na forma mais comum da fobia social - a fobia social generalizada - os pacientes apresentam prejuízos bastante significativos em sua vida:

- casam-se menos;
- têm menor escolaridade;
- têm menores rendimentos;
- suicidam-se mais;
- queixam-se da ausência de relações sociais próximas;
- apresentam maior freqüência de depressão, abuso/dependência de álcool, pânico, que muitas vezes é o que as leva a procurar o tratamento.

Pelo fato de a fobia social começar na adolescência, há uma complicação, pois esse é o período em que aprendemos uma série de regras de interação social. Assim, a pessoa com fobia social terá de enfrentar não só o medo, mas também a falta de habilidade nas interações sociais. Por exemplo, os principais códigos da paquera são aprendidos na adolescência. O paciente com fobia social não tenta aproximação e chega à idade adulta sem saber paquerar.
A diferença da fobia social para o transtorno do pânico é que no último os pacientes podem passar mal sem motivo, em qualquer lugar (ataque de pânico), enquanto os pacientes com fobia social sentem-se mal só nas situações que já foram descritas anteriormente. Além disso, é comum os pacientes com pânico desenvolverem o medo de lugares onde a saída seja difícil e não possam ser socorridos, lugares cheios de gente onde possam passar mal, etc. Isso não ocorre com pacientes que sofrem de fobia social, para os quais a maior preocupação é ser foco da atenção das pessoas.
O tratamento da fobia social, em primeiro lugar, é convencer o paciente de que a fobia social é uma doença. Em geral, não é difícil: o sofrimento significativo faz com que os pacientes recebam bem a possibilidade de ajuda. O segundo passo é explicar para o paciente que existe tratamento. O tratamento é longo, envolve o uso de medicação e psicoterapia. A medicação vai diminuir a sua ansiedade e a terapia é fundamental para ajudar o paciente a se expor às situações temidas e para treiná-lo em certas situações.

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Texto de Dr. Saulo Castel - Doutor em Psiquiatria, médico e assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
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Fobia Social ou Transtorno de Ansiedade Social
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